sábado, 28 de agosto de 2010

Análise do UFC 118

por Eduardo Graça
mmacartoons.blogspot.com

Boston acaba de testemunhar o UFC 118, e com sua conclusão, conseguimos projetar relances do futuro do evento de MMA mais badalado do momento.
Marcus Davis não encontrou resposta para os golpes retos de Nate Diaz, que usou sua envergadura para se prevalescer em pé e seu já conhecido jiu jitsu Gracie para finalizar o já desgastado 'Irish Hand Granade' no solo. Após a sólida performance nos meio-médios, Diaz permaneceu indeciso sobre uma possível volta à categoria até 70kg, citando Gray Maynard como potencial oponente.
Tal vontade do discípulo de César Gracie não parece estar nos planos do UFC, porém. No mesmo evento o wrestler Gray Maynard superou o tecnicista Kenny Florian em uma decisão unânime que o leva diretamente para a próxima disputa de titulo dos pesos leves. Após um primeiro round apertado, Maynard conseguiu abrir um corte em Kenny Florian abrindo caminho para o seu já peculiar jogo de quedas e ground-and-pound. Muitos fãs podem criticar sua estratégia como o típico anti-jogo apresentado por wrestlers como Jon Fitch e Chael Sonnen, mas conseguindo sua oitava vitória consecutiva no UFC e sendo o único a derrotar o atual campeão Frankie Edgar, o title-shot de Maynard parece incontestável no momento. Um detalhe para essa possível disputa de cinturão que poucos estão enxergando é o fato de Maynard ser um dos lutadores de maior força física na categoria, enquanto Edgar é provavelmente um dos menores lutadores nos leves do UFC.
No highlight brazuca da noite, Demian Maia passeou por cima de Mário Miranda e , apesar de buscar a finalização até o último minuto, inclusive abrindo mão de posições vantajosas em uma luta já ganha nos scorecards dos juízes, saiu apenas com a decisão unânime, resultado até injusto pelo comprometimento do lutador em acabar com sua luta antes dos 15 minutos previstos. O vencedor de Bisping x Akyama poderia gerar um oponente coerente e competitivo para este exímio lutador brasileiro.
No co-main event da noite, Randy Couture não quis dar sopa ao azar e recusou engajar qualquer tipo de contato com o boxer James Toney que não se passasse no solo. The Natural atualizou a lição que Royce Gracie já havia escrito no mundo das lutas: o boxe é um grande esporte e uma excelente arte marcial de trocação de golpes traumáticos, mas ela por si só, não é suficiente em um ambiente onde artes marciais como o wrestling e o jiu jitsu convivem harmoniosamente com a luta em pé. A performance de Couture contra Toney não diz muito sobre sua forma nem sobre sua posição com relação a um possível - e a esta altura ainda distante- disputa de cinturão. Uma luta entre o veterano multiplas vezes campeão e a grande promessa Jon Jones seria relevante para posicionar ambos dentro da Light Heavyweight division. Basta saber se o UFC está disposto a expor nosso vovô favorito a tamanho risco.
No main event que não satisfez o público mais exigente, Frankie Edgar mais uma vez entrou e saiu da cozinha de BJ Penn como quis,deixando ora suas excelentes combinações de socos na linha de cintura e cabeça; ora leg kicks; ora takedowns dignos de seu excelente pedigree no wrestling, denunciando suas movimentação e gás acima da média, assim como a falta de resposta de BJ Penn para a estratégia apresentada.
Muitos fãs, ao contrário do habitual chorão BJ, que nesta situação apenas dirigiu respeito e méritos a Edgar, insistem em culpar o próprio havaiano por sua derrota. Injustiça. BJ estava em plena forma, com reflexos em dia e seu boxe sempre crespo e afiado. Mesmo no aspecto psicológico o ex-campeão demonstrou garra, abandonando sua estratégia de pugilista contragolpeador e adotando, nos dois últimos rounds, uma tática até então não experimentada por ele: buscar - a todo custo - a luta de solo. Mas nem seu jiu jitsu, nem sua flexibilidade fora do comum foram páreos para o giro e a disposição de Edgar que conseguiu se proteger com eficácia do campeão mundial de jiu jitsu e levar mais uma vez a agora indiscutível decisão. Parabéns ao Edgar que tem todo o mérito técnico, físico e estratégico para derrotar por duas vezes aquele que será consideradoum dos maiores pesos leves da história do MMA. Sabemos que no boxe e no chão esse arisco campeão está mais do que bem testado e aprovado. Resta saber se a força e o lay-n-pray de Gray Maynard serão suficientes para anular a velocidade e a inteligente movimentação de Edgar, por que se não forem, apenas José Aldo poderá dar trabalho ao definitivamente coroado campeão dos pesos leves do UFC.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Analisando Estratégias: Minotauro

por Eduardo Graça


Não seria este o momento ideal, no despertar de uma derrota avassaladora no UFC 110, na Austrália, criticar a estratégia de luta de um dos maiores ícones da história do MMA, Antônio Rodrigo Minotauro Nogueira.
Todos assistiram atônitos suas lutas nos tempos do extinto e saudoso Pride FC: epopéias sangrentas que encontravam seu apogeu em arm-locks e triângulos inimagináveis tanto para seus sedentos adversários quanto para o aflito público que, por muitas vezes, se extasiava às lágrimas ao testemunhar um homem se reerguer das mais severas adversidades, para sorrir um sorriso deformado, exausto e humilde frente à arduamente alcançada vitória. Raríssimas performances esportivas e até mesmo artísticas seriam tão inspiradoras, cativantes e emocionantes quanto as de nosso mestre e ídolo Minotauro Nogueira.
Reconhecido incontestavelmente como o melhor lutador de chão da história dos pesos-pesados, Rodrigo Minotauro sempre esbanjou confiança e destemor boxeando contra adversários mais experientes e escolados nas artes de trocação. Quando de sua luta contra Sergei Kharitonov, por exemplo, Minotauro fez uma luta predominantemente em pé, gozando de sua desumana capacidade de absorção de golpes para conectar suas próprias sequências e levar a decisão sobre o boxer russo. Sua competência na luta em pé é inegável.
Em sua estréia no UFC, em julho de 2007, Minotauro trouxe uma aula de pugilismo ofensivo a Heath Herring, e seu queixo de aço garantiu-lhe a decisão unânime dos juízes após sofrer mais um knock-down lendário em sua trajetória vitoriosa.
Em sua segunda luta pelo evento americano, Minotauro decidiu mais uma vez investir no boxe para enfrentar Tim Sylvia, notório por usar sua enorme envergadura para castigar seus oponentes com golpes retos de uma distância segura. Mais uma vez o boxe defensivo do lutador brasileiro foi exposto e Minotauro sofreu nada menos que três knock-downs do Maine-iac em 2 rounds. Assim que a luta atingiu o solo, no 3º assalto, Minotauro raspou e finalizou o gigante americano com a categoria que só uma lenda do jiu jitsu adaptado ao MMA poderia fazer. E mais uma gloriosa volta por cima e mais um cinturão passaram a fazer parte da ilustre carreira do bom baiano Minotauro.
Seu próximo desafio no Ultimate seria Frank Mir. Em entrevistas pré-luta, os treinadores de Minotauro afirmavam que de maneira nenhuma seu atleta buscaria a luta no solo, e todos apostavam em uma vitória por nocaute. Pela terceira vez em três lutas Minotauro trouxe um bom repertório de sequências ofensivas, mas sua reduzida movimentação de cabeça e sua guarda baixa se mostraram fraquezas demasiado evidentes e no primeiro round ele sofreria dois knock-downs de Mir. No segundo assalto o baiano insistiria em lutar boxe com o grappler americano e seu queixo de aço não foi capaz de resistir aos repetidos overhands de esquerda que já tinham encontrado endereço em sua face direita. Mir by TKO.
No UFC 102, Rodrigo Nogueira enfrentaria outra lenda do esporte: Randy Couture. Gozando de maior enverdura, Minotauro aplicou dois knock-downs no Captain America, fato que, por si só, não reflete a realidade da luta em pé naquele main-event. Minotauro absorveu diversos golpes limpos de Couture, que nunca foi conhecido por ter mãos pesadas, e que já havia demonstrado, antes daquela ocasião, fragilidade na resistência a golpes traumáticos. Talvez o maior êxito de Minotauro naquela luta não tenham sido os knock-downs, mas sua capacidade de raspar e reverter o consagrado wrestler em diversos momentos do combate, mostrando sua larga superioridade no solo.
Infelizmente, porém, esta vitória parece ter confirmado e justificado a estima que nosso herói brasileiro tem pela luta em pé, mesmo não sendo esta sua especialidade, e mesmo sendo essa sua principal fraqueza em todos os combates aqui descritos; pois em fevereiro de 2010, no UFC 110, Antônio Rodrigo Nogueira foi derrotado brutalmente por um adversário mais rápido e mais forte, que soube fazer prevalescer sua técnica de trocação sobre àquela de nosso lutador.
No curso dos dois minutos e vinte segundos de duração total da luta, Minotauro se engajou por três vezes, ofensivamente, em sessões de trocação com Cain Velasquez e foi agredido com mais eficácia do que agrediu em todas, culminando em seu trágico nocaute precoce.
É agora, então, que se levantam as perguntas que motivam todo este artigo: deveria repousar na trocação a principal ênfase de estratégia de luta do Minotauro?
Se em todas as suas lutas no UFC a trocação foi seu calcanhar de aquiles e o chão sua rota para a vitória; e se nenhum lutador nos pesos pesados do UFC tem as credenciais de luta de solo no MMA que o nosso Minota tem, por quê optar por trocar francamente em uma categoria povoada por lutadores cada vez maiores e mais fortes? Lutar por baixo contra wrestlers e buscar galgar melhores posições e eventualmente finalizações não seria uma estratégia mais segura para um faixa-preta do calibre do Minotauro? Ou será que contar com um queixo de aço sempre levará á vitória?

Gostaria que todos os fãs e admiradores do Minotauro entendessem este artigo como uma crítica construtiva e sensível às reais capacidades deste exímio lutador que, ao aliar sua técnica maestral a uma estratégia condizente com suas especialidades, tem tudo para reconquistar o título dos pesos-pesados no maior evento de MMA do planeta.

Trocar com Cain Velasquez, Shane Carwin, Brock Lesnar, Todd Duffee, etc. não pode ser o caminho.

sábado, 13 de junho de 2009

As eras do MMA por Eduardo Graça

Ao final da transmissão do UFC 98,quando o brasileiro Lyoto Machida sagrou-se campeão dos meio-pesados ao derrotar o explosivo Rashad Evans com o seu estilo "indecifrável", o comentarista americano Joe Rogan anunciou o início da "era Machida", já que Lyoto, após sua décima quinta vitória consecutiva, tornava-se o mais recente lutador a implementar um estilo que exige a desconstrução de velhos paradigmas e provoca a evolução do jovem espoorte conhecido como Mixed Martial Arts.
Este fenômeno, porém,não é inédito. De tempos em tempos um lutador em particular mostra-se tão eficiente em sua abordagem de luta que, apenas anos depois de seus respectivos domínios, outros atletas serão capazes de entender o seu jogo e, finalmente, implementarem táticas e comportamentos adequados para tentar vencê-los.
Tracemos pois, um panorama histórico de lutadores que precisaram ter seus estilos estudados, decifrados e aprendidos para que o mundo das arte marciais pudesse acompanhá-los.

-A era Gracie (Novembro de '93 a abril de '95)
Depois do Gracie jiu jitsu ser um personagem central do mundo do vale-tudo há décadas, foi em 1993, que Royce Gracie popularizou o jiu jitsu em nível mundial, após vencer o torneio de 8 lutadores em uma noite, no UFC 1.
Quando fãs de artes marciais viram o franzino Royce controlando e finalizando oponentes maiores e mais pesados de sua guarda através dos 4 primeiros torneios do UFC, soube-se imediatamente, que sem o domínio da arte suave, era impossível prevalecer em um embate de artes marciais mescladas.
O entendimento do jiu jitsu era tão limitado nesta época, que o próprio narrador do UFC 4, após ver Royce encaixando um triângulo no enorme Dan Severn; dizia que o brasileiro aguentaria pouco tempo por baixo da besta americana. Quando o gigante americano bateu, os membros da transmissão do UFC não sabiam exatamente de onde havia saído a finalização.
Após o empate de 36 minutos contra Ken Shamrock no UFC 5, Royce Gracie ficaria 5 anos afastado do MMA, mas o seu legado já estava assegurado:a América conhecia o nome Gracie, e o MMA oficialmente recebia o Brazilian Jiu Jitsu como um fundamento básico.

A era Ruas/Frye (Setembro de '95 a Julho de '96)

Tanto Marco Ruas quanto Don Frye eram o rascunho do atleta de Mixed Martial Arts, mesmo quando ainda se pensava no esporte como "confronto de artes marciais".Enquanto diversos atletas defendiam suas respectivas disciplinas, Marco Ruas e Don Frye venceram os UFC 7 e 8 respectivamente, ao mostrarem conhecimento de diferentes aspectos de luta. Marco Ruas, mestre em Muay Thai, luta-livre e proficiente também no jiu jitsu, apresentava perigo a seus oponentes independente da posição e circunstância da luta; Frye, excelente boxeador e wrestler, dominava seus oponenentes na trocação e no grappling, também mostrando estar anos-luz a frente de seu tempo e introduzindo ao mundo o protótipo inicial de "mistura" de artes marciais.

A era Coleman/Kerr (Julho de '96 a Outubro de '97)
Wrestlers condecorados, Mark Coleman e Mark Kerr descobriram que sua habilidade de colocar os adversários pra baixo, associada à força que possuíam, podiam definir combates de maneira brutal. Ao invés de buscarem chaves de cervical ou outras finalizações oriundas de sua base de wrestling; ambos os lutadores preferiam levar a luta para solo para então finalizar seus oponentes com socos e cotoveladas.
Mark Coleman venceu os torneios do UFC 10 e 11, e então o lendário Dan Severn para se tornar o primeiro campeão dos pesos-pesados do UFC, em sua 12º edição. Mark Kerr, por usa vez, venceu os torneios do UFC 14 e 15 com um tempo médio de 1:18 minutos por luta; além de vencer suas 5 primeiras lutas no pride, em seguida.
O MMA estava apresentado ao ground and pound.

A era Frank Shamrock (Novembro de '97 a Setembro de '99)
Seguindo os passos de Ruas e Frye, Frank Shamrock era versado em todos os aspectos do MMA. Tendo aprendido finalizações e wrestling de seu irmão adotivo Ken Shamrock, Frank dominou o cenário do Pancrase por dois anos, desenvolvendo sua trocação a um nível estelar para a época. Levado ao UFC depois de uma luta épica com Enson Inue, Frank Shamrock precisou apenas de 16 segundos para capturar o primeiro título dos meio-pesados do UFC, ao finalizar Kevin Jackson com um armlock. Frank ainda defenderia seu título 4 vezes contra Igor Zinoviev, Jeremy Horn, John Lober e Tito Ortiz, antes de se aposentar do octógono invicto.

A era Sakuraba (Abril de '99 a Março de '01)
Apesar de sua longa tradição em artes marciais, o Japão não teria um grande nome no MMA até o brilhante finalizador Kazuchi Sakaraba despontar no cenário mundial. Oriundo do pro-wrestling, Sakuraba foi enviado a um verdadeiro torneio de artes marciais como uma jogada publicitária de seu evento, no UFC Japan. Sakuraba não só venceu o torneio, como suas 3 primeiras lutas subsequentes, contra Vernon White, Carlos Newton e o fenômeno Vítor Belfort, já no PRIDE.
Criativo, agressivo e temerário, Sakuraba venceria ainda 8 das suas próximas 9 lutas, derrotando adversários como Royler Gracie, Royce Gracie (em uma luta de 90 minitos), Renzo Gracie, and Ryan Gracie para ganhar o apelido de Gracie Hunter.

A era Tito Ortiz (Abril de '00 a Setembro de '03)
Depois de perder sua primeira disputa de título contra Frank Shamrock no UFC 22, Tito Ortiz teve uma nova oportunidade um ano depois, quando Frank aposentou-se do UFC e vagou seu cinturão. Tito Ortiz abusou dos seus takedowns para vencer na decisão contra Wanderlei Silva. Tito Ortiz ainda defenderia seu título mais 5 vezes até perdê-lo para Randy Couture no UFC 44, 3 anos e 5 meses após sagrar-se campeão.


A era Wanderlei Silva (Dezembro de '00 a Junho de '05)

Com sua agressividade incomparável, seu instinto assassino e seus cruzados e joelhadas brutais, Wanderlei Silva esmagou toda e qualquer competição a sua frente, vencendo nada mais do que 18 lutas seguidas e permanecendo invicto por 5 anos no PRIDE. Nesse período Wanderlei venceu o Grand Prix de 2003, derrotou Sakuraba 3 vezes, empatou com o peso-pesado Cro Cop, e nocauteou nomes como Guy Mezger, Fujita, Yoshida e Rampage Jackson(duas vezes), para se tornar uma lenda viva no Japão e em todo o mundo.

A era Matt Hughes (Novembro de '01 a Setembro de '06)
Com um estilo previsível e unidimensional, baseado apenas em wrestling Matt Hughes não parecia uma ameaça aterrorizante.
Mas a força descomunal para sua categoria, aliada a uma rara força-de-vontade e uma inteligente mistura de wrestling e jiu jitsu, Matt Hughes destacou-se logo em sua estréia no UFC, quando recebeu um triãngulo de Carlos Newton e, momentos antes de apagar, conseguiu forças para erguer seu adversário do chão e nocauteá-lo com um histórico bate-estaca. Matt Hughes defenderia seu título por 9 vezes não consecutivas, obtendo vitórias sobre Frank Trigg, Sean Sherk, BJ Penn e Georges St. Pierre. Matt Hughes é detentor do recorde de mais disputas de títulos vencidas na história do UFC, junto com o veterano Randy Couture.

A era Chuck Liddell (Abril '04 a Dezembro '06)
Conhecido como Iceman por ser quieto e frio, Chuck Liddell talvez seja o rosto mais conhecido do MMA mundial, além de ser um dos lutadores mais bem pagos da história do esporte.
A origem de todo este sucesso? Um estilo de luta simples, composto por uma exceente defesa de quedas e uma mão direita devastadora. Chuck Liddell começou sua carreira no UFC com 10 vitórias seguidas sobre adversáros como Vítor Belfort,Babalu Sobral, o peso pesado Jeff Monson, e o monstro Kevin Randleman. Mas foi depois de capturar o cinturão dos meio-pesados que Liddell veio a adquirir o status de lenda do esporte.Foram 2 anos, 7 lutas e 7 nocautes de reinado. Se este incrível cartel não fala por si só, vale mencionar que tais nocautes foram sobre Tito Ortiz (2 vezes), Randy Couture (2 vezes), Vernon White, Jeremy Horn, e Renato "Babalu" Sobral.

A era Fedor (Março de '03 até o presnte)
Quando a categoria dos pesos-pesados do PRIDE parecia dominada pelo coração, raça e técnica do herói e lenda Rodrigo Minotauro, um russo gordinho chamado Fedor Emelianenko apareceu e introduziu ao mundo o maior reinado de todos os tempos na história do MMA.
Com socos velozes e duríssimos, quedas violentas e um jogo de chão brilhante; o destaque no jogo deste russo fica por conta de sua criatividade, de sua habilidade de mudar sua estratégia no meio da luta e de seu inacreditável controle emocional.
Fedor Emelianenko nocauteia, derruba, finaliza, raspa, inverte e absorve golpes de seus oponentes com a mesma expressão facial tranquila que também mantém antes e após suas lutas.
O maior atleta da história da Rússia, Fedor tem 32 lutas e apenas uma derrota, dada sob circunstâncias controversas.
Em dezembro de 2000, em luta pelo RINGS, o japonês Tsuyoshi Kohsaka acertou uma cotovelada ilegal no rosto do russo aos 17 segndos de luta. Os médicos não liberaram Fedor para continuar o combate e, como tratava-se de um torneio, um vencedor precisava ser anunciado. Desde então Fedor já acumulou 26 vitórias seguidas em 9 anos de invencibilidade, vencendo oponentes como Rodrigo Minotauro (2 vezes), Heath Herring, Kevin Randleman, Cro Cop, Tim Sylvia, Andrei Arlovski, Mark Coleman (2 vezes), Sammy Schilt, Mark hunt, além de tratorizar o próprio Tsuyoshi Kohsaka em uma revanche em 2005.

A era Anderson Silva (Outubro de '06 até o presente)
Depois de sofrer derrotas para atletas como Ryo Chonan e Daiju Takase no PRIDE, discutia-se a consistência do talentoso especialista em Muay Thai Anderson Silva. Dois anos depois de sua última derrota no PRIDE, graduado faixa-preta em jiu-jitsu por Rodrigo Minotauro,com com a trocação mais afiada e imprevisível do que nunca, Anderson Silva fazia sua estréia no UFC contra Chris Leben. Desde então foram 9 vitórias seguidas, incluindo a conquista e 5 defesas do cinturão dos pesos médios além de uma vitória na categoria dos meio-pesados.
Anderson Silva apresenta um jogo tão completo e devastador que seus adversários, sejam strikers como Rich Franklin, sejam wrestlers como Dan Henderson, sejam finalizadores como Thales Leites, não parecem encontrar meios para ameaçarem o Homem-Aranha brasileiro.
Anderson Silva atingiu um nível tão proficiente e um jogo tão impecável e versátil, que é difícil antever um fim para o seu reinado no mundo das lutas.

A era St. Pierre (novembro de 2006 até o presente)
Georges St. Pierre é faixa-preta em karatê kyokushin, o que explica seus arsenal de chutes. George St. Pierre treina wrestling com a seleção nacional de wrestling do Canadá e já recusou convites para representar o seu país nas olimpíadas, o que explica sua eficiência em quedas e controle do oponente no chão. Geroges St. Pierre é faixa preta em jiu jitsu brasileiro, tendo como mestres Renzo Gracie e Bruno Fernandes, o que explica seu conforto no solo contra qualquer adversário. Os parceiros de treino de Georges St. Pierre revezam-se em turnos de 3-5 rounds cada em sessões de sparring contra St. Pierre, que chega a lutar 10 rounds seguidos contra parceiros de treino de até 2 categorias mais pesadas(como os meio-pesados Rashad Evans e Keith Jardine.
Dado todo este gabarito não é surpresa que Georges St. Pierre tenha vencido 18 de suas 20 lutas profissionais incluindo revanches contra os únicos atletas que já o venceram, Matt Hughes e Matt Serra.
St. Pierre talvez seja o espécime que melhor explique o objetivo e a eficácia do coneceito de "mixed martial arts".

A era Lyoto Machida (Maio de '09 até ???)
Lyoto Machida, mestre em karatê shotokan, faixa-preta em jiu-jitsu e expert em sumô; trouxe um novo formato para o esteriótipo do lutador de MMA geralmente formado com base em boxe/muay thai + wrestling/judo + jiu jitsu.
Sua dinâmica de entrada e saída, trazida por sua formação no karatê; sua inigualável noção de tempo e distãncia; sua incrível variedade de ângulos gerados por sua peculiar movimentação e seu vasto arsenal de golpes, fintas e entradas fazem de Lyoto Machida o trocador mais preciso e intocável do MMA atual. Seu jogo de clinch e suas quedas inusitadas também são um mistério para todos os seus adversários.
O mais interessante sobre este karateca paraense é que seu estilo de luta é o mesmo contra qualquer adverário, e ainda assim nenhum deles consegue acertar golpes nem quedas em Machida, enquanto ele parece muito calmo e plácido ao servi-los com um banquete de chutes, socos e quedas, sempre na hora certa sem se expôr a qualquer tipo de agressão.
Talvez até mesmo analistas de artes marciais precisem de tempo e de aprendizado para descrevem com precisão os fatores que permitem que o "The Dragon" pareça intangível quando seus oponentes atacam e arrebatador quando investe contra eles.
Lyoto Machida nunca perdeu sequer um round em suas 7 vitórias no UFC, e suas duas últimas lutas terminaram em nocaute contra dois adversários previamente invictos.
Lyoto acaba de conquistar o cinturão da categoria mais disputada do UFC e parece ter dado início a mais uma longa era de domínio nos meio-pesados.
Quando sua era acabar, aparentemente há alguns anos, o MMA estará mais uma vez modificado, evoluído, reeducado.

baseado em um artigo do cagepotato.com

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Fedor interview by MMA Cartoons

Fedor talks arlovski fight (by MMA Cartoons)
visit mmacartoons.blogspot.com to vote on our next animated bout.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Fedor vs. Arlovski review by Eduardo Graca

Fedor vs. Arlovski review
by Eduardo Graça

First of all we must congratulate Affliction for such an exciting and professional event, regarding the only subject taken seriously on this blog, which is MMA.
Great performances by Belfort, Babalu, Barnett, Minotouro, Buentello, Yvel and Arlovski.

Now, to our points:

Arlovski was doing great with his boxing skills: his speed and head movement earned him the best spot at the openning couple of exchanges before their clinch. After the restart, arlovski scored two consecutives 1-2s(though only the straight rights of each combination really connected)and a solid front kick to Fedor's guts right before the flying knee attempt. Arlovski's aerial strike was interrupted by a brutal mid-air overhand right that would drop him face-first to the mat to put an end to the bout.
Yes, Andrei was winning the round. But he hadn't inflicted enough damage to his opponent to define any fight-ending momentums (which was actually proven by fedor's answer to arlovski's fight-ending flying knee attempt).
Arlovski was prevailing in one dimension of the game during the first 3 minutes of a 5 five-minutes rounds fight.
Yvel was also standing decently in his bout's early stand up exchganges, but once the fight reached the ground, one winner could clearly been portrayed in Barnett's easy mounting and violent pounding.
Fedor and Arlovski couldnt get to the ground in their fight, only because Fedor - who was clearly trying to catch Andrei's punch timing (while being hit a couple of times)- managed to figure out a way to prevail against Arlovski right in the same game dimension the belarussian was having the edge.The stand up.
Fedor needed one mistep(off the floor) from Andrei, and one punch to finish the fight.
Call it luck, but this fight was ended by Fedor's most notable characteristic.
Efficiency, ladies and gents.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Marco Ruas and his importance to MMA

Marco Ruas and his importance to MMA
by Eduardo Graça

To most of the american audiences Marco Ruas' winning the UFC 7 is his career's highest accomplishment, specially for the dominant fashion he displayed in the event.
His performance in the 1995 tournament edition highlighted the top of cardio capacity and variety of dimensions ever displayed by a one-night-tournament fighter.
Marco Ruas first torn Larry Cureton apart with leg and body kicks, punch combinations and violent clinch game to finish the fight via heel hook at 9:23 minutes of fight.
He then engaged the judo black belt goliath Ramco Pardoeu, who early in the fight caught Ruas' back in a clinch through which both would remain attached for a good slice of their 12:27 minutes bout. The much bigger and heavier Pardoeu couldn't put Ruas down and suffered an intense and unusual feet-stomping torture which would culminate in a wrestling workshop by Ruas.Once the brazilian bare-knucle veteran full mounted his enourmous exhausted opponent, the fight was over by a freakish desperate tapout.
Ruas moved on to fight the hulking kickboxer Paul Valerans, and the two striking specialists went on to a 13:17 stand up war highlighted by the elusiveness of a nasty leg kicker Ruas that would finish the fight after Valeran's collapsing to his knees with a straight-hook KO combo.
Long before Marco Ruas stepped in the UFC octagon, the visionary fighter played a dramatic role in the legendary Luta Livre-Jiu Jitsu Rio de Janeiro's rivalry famed by Rickson Gracie's beach-beating-to-coma of luta livre champion Hugo Duarte and as well as by the event-descrution during a Eugene Tadeu vs. Renzo Gracie fight.
During the 80's the Luta Livre instructor and Vale-tudo champion Marco Ruas understood the need of learning jiu-jitsu to be a complete fighter. While as a JJ blue belt, both the Gracie team and nemesis hugo duarte's LL academy wanted Ruas to compete under their flags. It's no surpise Ruas would come up with his own fighting system: Ruas Vale-tudo,responsible for early ufc's stars Pedro Rizzo, Babalu Sobral amongst other notable fighters.
Marco Ruas's a black belt in judo, jiu-jitsu, luta livre e tae kwond do as well as a muay thai, boxing and vale-tudo champion. His first recorded-to-broadcast fight dates 1984 when he was introduced as the urban legend "the king of the streets".
He's been respectfully and personally defied at his own gym by Rickson Gracie himself.
Marco Ruas may not have the Mithological status of Rickson Gracie's perfect 400 fight record but it's clear that, in a time when it took a black belt in any single martial art to get a shot at Vale-Tudo, this man understood that the most effective fighter can be found in a blue belt in two or three different disciplines.
Marco Ruas was a MMA fighter before MMA existed as a sport.