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sábado, 28 de agosto de 2010

Análise do UFC 118

por Eduardo Graça
mmacartoons.blogspot.com

Boston acaba de testemunhar o UFC 118, e com sua conclusão, conseguimos projetar relances do futuro do evento de MMA mais badalado do momento.
Marcus Davis não encontrou resposta para os golpes retos de Nate Diaz, que usou sua envergadura para se prevalescer em pé e seu já conhecido jiu jitsu Gracie para finalizar o já desgastado 'Irish Hand Granade' no solo. Após a sólida performance nos meio-médios, Diaz permaneceu indeciso sobre uma possível volta à categoria até 70kg, citando Gray Maynard como potencial oponente.
Tal vontade do discípulo de César Gracie não parece estar nos planos do UFC, porém. No mesmo evento o wrestler Gray Maynard superou o tecnicista Kenny Florian em uma decisão unânime que o leva diretamente para a próxima disputa de titulo dos pesos leves. Após um primeiro round apertado, Maynard conseguiu abrir um corte em Kenny Florian abrindo caminho para o seu já peculiar jogo de quedas e ground-and-pound. Muitos fãs podem criticar sua estratégia como o típico anti-jogo apresentado por wrestlers como Jon Fitch e Chael Sonnen, mas conseguindo sua oitava vitória consecutiva no UFC e sendo o único a derrotar o atual campeão Frankie Edgar, o title-shot de Maynard parece incontestável no momento. Um detalhe para essa possível disputa de cinturão que poucos estão enxergando é o fato de Maynard ser um dos lutadores de maior força física na categoria, enquanto Edgar é provavelmente um dos menores lutadores nos leves do UFC.
No highlight brazuca da noite, Demian Maia passeou por cima de Mário Miranda e , apesar de buscar a finalização até o último minuto, inclusive abrindo mão de posições vantajosas em uma luta já ganha nos scorecards dos juízes, saiu apenas com a decisão unânime, resultado até injusto pelo comprometimento do lutador em acabar com sua luta antes dos 15 minutos previstos. O vencedor de Bisping x Akyama poderia gerar um oponente coerente e competitivo para este exímio lutador brasileiro.
No co-main event da noite, Randy Couture não quis dar sopa ao azar e recusou engajar qualquer tipo de contato com o boxer James Toney que não se passasse no solo. The Natural atualizou a lição que Royce Gracie já havia escrito no mundo das lutas: o boxe é um grande esporte e uma excelente arte marcial de trocação de golpes traumáticos, mas ela por si só, não é suficiente em um ambiente onde artes marciais como o wrestling e o jiu jitsu convivem harmoniosamente com a luta em pé. A performance de Couture contra Toney não diz muito sobre sua forma nem sobre sua posição com relação a um possível - e a esta altura ainda distante- disputa de cinturão. Uma luta entre o veterano multiplas vezes campeão e a grande promessa Jon Jones seria relevante para posicionar ambos dentro da Light Heavyweight division. Basta saber se o UFC está disposto a expor nosso vovô favorito a tamanho risco.
No main event que não satisfez o público mais exigente, Frankie Edgar mais uma vez entrou e saiu da cozinha de BJ Penn como quis,deixando ora suas excelentes combinações de socos na linha de cintura e cabeça; ora leg kicks; ora takedowns dignos de seu excelente pedigree no wrestling, denunciando suas movimentação e gás acima da média, assim como a falta de resposta de BJ Penn para a estratégia apresentada.
Muitos fãs, ao contrário do habitual chorão BJ, que nesta situação apenas dirigiu respeito e méritos a Edgar, insistem em culpar o próprio havaiano por sua derrota. Injustiça. BJ estava em plena forma, com reflexos em dia e seu boxe sempre crespo e afiado. Mesmo no aspecto psicológico o ex-campeão demonstrou garra, abandonando sua estratégia de pugilista contragolpeador e adotando, nos dois últimos rounds, uma tática até então não experimentada por ele: buscar - a todo custo - a luta de solo. Mas nem seu jiu jitsu, nem sua flexibilidade fora do comum foram páreos para o giro e a disposição de Edgar que conseguiu se proteger com eficácia do campeão mundial de jiu jitsu e levar mais uma vez a agora indiscutível decisão. Parabéns ao Edgar que tem todo o mérito técnico, físico e estratégico para derrotar por duas vezes aquele que será consideradoum dos maiores pesos leves da história do MMA. Sabemos que no boxe e no chão esse arisco campeão está mais do que bem testado e aprovado. Resta saber se a força e o lay-n-pray de Gray Maynard serão suficientes para anular a velocidade e a inteligente movimentação de Edgar, por que se não forem, apenas José Aldo poderá dar trabalho ao definitivamente coroado campeão dos pesos leves do UFC.

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